Mensuração de ROI e gerenciamento do Cuidado. Uma análise prática.

Em recente publicação, no artigo sobre painel de custos em saúde corporativa, detalhamos quais são as ferramentas a serem utilizadas no dia dia, bem como qual seria a estruturação dos fluxos de trabalho a partir dessas, para que na prática haja uma mensuração dos indicadores e estruturação do plano de ações.

Quando empresas, ou operadoras de saúde tomam decisões estratégicas, afim de buscar objetivos específicos em saúde, geralmente contratam serviços ou ferramentas que mercado já disponibiliza há um tempo, mas de uma maneira pouco estruturada e fragmentada. Muito pouco provável que haja gerenciamento/coordenação do cuidado, e ainda menos a comprovação do retorno sobre investimento feito a partir deste. Muitos prestadores de serviço levam seus produtos para as contratantes, e pouco mobilizam-se em vender soluções.

Considerando ambos stakeholders, empresas ou operadoras/seguradoras de saúde, apesar terem suas particularidades e necessidades, muita estão defrontando-se com dois problemas principais: custos e acesso a saúde. Essa é uma primeira análise que deve ser feita, se de fato a oferta ques está sendo adquirida, supre esses dois pontos, e ainda, se o que está sendo implantado, poderá trazer retorno sobre investimento (ROI), e em quanto tempo.

Gerenciamento/coordenação do cuidado – o início

Se um dos problemas e demandas a serem resolvidos for o acesso ao cuidado, deve-se estruturar uma metodologia, que geralmente parte da atenção primária a saúde. Com treinamento adequado das pessoas que irão aplicar “em campo”, e também a abordagem digital, onde o time de cuidados, apesar das mesmas premissas, consegue otimizar a jornada assistencial/ocupacional com ferramentas que estruturam todas as informações colhidas nas entrevistas, inquéritos, consultas e outros, bem como gerenciar as principais tarefas para manter aquela população saudável. Com a navegação do cuidado coordenada, inclusive quando acessar a atenção secundária ou terciária, é possível extrair importantes indicadores para tomada de decisão.

Toda esta estruturação da informação, gera em tempo real indicadores nos dashboards, afim de informar os gestores sobre o status de saúde da população, o comportamento de uso de serviços assistenciais, entre outros KPI’s. Além disso, permite mensurar a performance dos times de cuidados, tanto nos resultados quanto com a experi6encia dos pacientes.

Health Economics

Quando gerenciamos o cuidados de maneira estruturada, como descrito acima, conseguimos alimentar também ferramentas com os custos envolvidos na jornada assistencial/ocupacional, e identificar quais são os principais pontos que possam estar ocorrendo gastos excessivos, desperdícios e redundâncias, com os recursos assistenciais. Hoje, considerando a metodologia de gestão do cuidado a atenção primária de saúde, o modelo mais praticado é a captação (fee/vida/mês). Este modelo de valor, considera todas as abordagens assistenciais durante a jornada, e em alguns contratos podem incluir até  exames e procedimentos.

A APS, custa em média entre 3 a 4% do custo assistencial total, porém este % investido deve na prática, trazer um retorno sobre o investimento sobre todas as outras despesas assistenciais, como idas ao pronto atendimento, internações hospitalares, entre outros.

Na prática teríamos como exemplo uma operadora que contrata atenção primária de um prestador por um preço de R$ 30,00/beneficiário/mês. Para o contratante (operadora/seguradora), esse investimento só faz sentido se obter três pontos específicos:

  • Aumento de satisfação/experiência do seu cliente;
  • Melhora dos resultados clínicos (desfechos) em sua população;
  • Se houver a comprovação, depois de um período pré estabelecido, que os R$ 30,00 investidos por beneficiário, evitou custos superiores a este, como internações, ou pronto atendimentos. De modo geral, espera-se obter um ROI de ao menos R$ 2,00 para cada real investido.

 

Para esta comprovação de ROI, o prestador deve estar munido de ferramentas para mensuração de consumo de recursos durante uma jornada assistencial de seus pacientes, saber qual grupo de risco populacional está consumindo mais recursos, e ao longo do tempo fazer ajustes de contratos e ter um preço médio para cada grupo de risco, ou até mesmo para diagnósticos específicos.

Por último, fica muito evidente que todo e qualquer método assistencial, aplicado para tentar solucionar grandes problemas de resultados, acesso e custos em saúde, deverá ser estruturado com capacitação do time de cuidados, muní-los com tecnologia, e fazer a inclusão de critérios de performance.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *