O Impacto da navegação dos cuidados nos gastos em saúde

Sempre houve uma confusão entre termos, encaminhamentos e navegação dos cuidados, que apesar de semelhantes, na prática são completamente diferentes, e vem impactando os modelos de cuidado no Brasil. Encaminhamentos, entre especialistas, ou entre diferentes serviços sempre foi muito comum, e também uma das principais causas da não resolutividade das diversas situações clínicas apresentadas pelos pacientes, pois simplesmente transfere-se uma responsabilidade, sem ou com poucas informações suficientes para que haja uma sequencia lógica em busca de solução.

A navegação dos cuidados, ainda é muito novo para nós, e pouco presente em nosso mercado, e por conceito significa que existe um time de cuidados composto por profissionais de saúde responsáveis sempre por um número específico de pacientes. onde utilizando ferramentas (tecnologia) e grande base de conhecimento, irão trazer soluções, evitando agravos a saúde, eliminando fatores de risco, controlando doenças crônicas, e realizando todo mapeamento e screening das principais doenças que são de grande incidência em nosso meio. Além disso, este time cria sua própria rede de parceiros, sejam especialistas, laboratórios, clínicas de diagnóstico por imagem e hospitais, afim de referenciar e contra referenciar mantendo a continuidade da informação e focando nos desfechos que irão impactar a saúde das pessoas.

Como incluir a navegação do cuidado ?

Muitas metodologias podem ser adotadas para inclusão desta prática de navegação dos cuidados, sendo a mais comum a atenção primária à saúde. Há uma grande variação dos processos e modalidades adotadas por diversos prestadores que realizam APS, porém no Brasil ainda há uma grande fragmentação entre primário, secundário (especialistas) e terciário (hospitais, alta complexidade). Ou seja, apesar de várias iniciativas, ainda pode-se considerar que existe na grande maioria das situações, um encaminhamento entre profissionais, levando pouca informação e transferindo responsabilidade.

Muito citam que a resolutividade da APS, seria em torno de 80% dos casos. Agora um ponto importante: o que estão considerando resolutividade ? De fato é um desfecho clínico, ou o famoso encaminhamento ? A transferência de responsabilidade para especialistas ou até mesmo um hospital, não significa desfecho. Veremos em breve, divulgação de pouquíssimas empresas, que muniram-se de ferramentas e times com grande base de conhecimento, os primeiros número de desfecho clínico relacionado a navegação do cuidado a partir da atenção primária de saúde.

Qual o impacto dos encaminhamentos nos custos em saúde ?

E por último, mas não menos importante, seria trazer a importância de trazer o impacto negativo dos encaminhamentos nos custos em saúde. Quando fica sob responsabilidade do próprio paciente agendar uma consulta com especialista, fazer um exame ou buscar um serviço de alta complexidade, este encontra muitas barreiras e dificuldades para tal. Isso gera uma postergação diagnóstica e terapêutica, que agrava a situação clínica e onera muito mais as fontes pagadoras, seja a própria operadora de saúde ou o próprio paciente. Agendar um exame diagnóstico em um hospital por exemplo, muitas vezes é mais caro do que realizar em uma clínica especializada.

Iremos acompanhar em breve, empresas que vem apresentando crescimento exponencial nos atendimentos em APS, seus primeiros resultados de desfecho clínico e custo efetividade.

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